Barra-BA: Após denúncia de parentes, polícia investiga se pediatra foi morto por alertar família sobre suposto abuso sexual contra criança - WEB TV ESPINHA DE PEIXE

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sábado, 25 de setembro de 2021

Barra-BA: Após denúncia de parentes, polícia investiga se pediatra foi morto por alertar família sobre suposto abuso sexual contra criança



A Polícia Civil apura se o pediatra morto a tiros há dois dias, dentro de um consultório, em Barra, oeste da Bahia, foi assassinado após alertar uma família sobre uma criança atendida por ele, que apresentou sinais de abuso sexual. O caso teria ocorrido no ano de 2016, no município de Buritirama, que fica na mesma região.

O delegado titular de Barra, Jenivaldo Rodrigues, responsável pelas investigações do crime, disse que foi informado sobre a situação pelos parentes do pediatra. O irmão dele também falou sobe o caso com a reportagem do g1, na sexta-feira (24). A partir disso, a polícia vai investigar se a morte foi causada por vingança.

Segundo o delegado, na época em que o caso ocorreu em Buritirama, Júlio César não procurou a polícia para prestar queixa sobre possíveis ameaças que teria recebido. Agora, a polícia deve procurar pela família da criança que teria sofrido o abuso há cinco anos.

"Teve essa conversa de que a criança chegou molestada e ele falou que tinha que ir para Irecê [cidade no centro-norte da Bahia], que Irecê que tinha o departamento para investigar, ver direito, né? Mas isso tem um tempo, porque ele como médico tem por obrigação ver uma questão dessa e alertar a mãe e o pessoal para procurar a polícia", disse ao g1 Lula Teixeira, cirurgião-dentista e irmão do médico.

Lula Teixeira contou que a cunhada dele trabalha como enfermeira e atuava em parceria com o marido durante os atendimentos. Ela presenciou o crime, que ocorreu no momento em que Júlio César fazia o atendimento do dia.

Além da mulher, dois funcionários e uma criança, que estava acompanhada por responsável, presenciaram o assassinato. A polícia não detalhou se essas testemunhas já prestaram depoimento.

Buscas pelo assassino

Dois homens são suspeitos de participação no crime, mas eles ainda não foram identificados pela polícia. Um é o atirador, que invadiu o local, e o outro é o motociclista que levou o atirador ao local em uma moto e prestou fuga no mesmo veículo.

Sem pistas sobre o autor do crime, que estava com um capacete na hora do assassinato, a família pede para que as pessoas que viram o vídeo e tenham identificado o autor procurem a polícia.

“A resolução disso aí é um compromisso da sociedade com as pessoas de bem, nesse mundo que a gente vive com tanta violência, tanta falta de amor, banalização da vida. Esse cara destruiu uma família”.

Quem era a vítima

Apesar da suspeita de que o crime tenha sido cometido por vingança, o irmão do médico contou ao g1 que não entende o motivo, já que ele era conhecido pela boa relação com todos. "Os colegas estão todos sem acreditar".

"Era um cara que vivia para trabalhar, muito correto, direito. Não se envolvia com malandragens, não era um homem de exageros. Um cara sempre responsável", afirmou Lula Teixeira.

O pediatra atendia em pelo menos cinco cidades da região, além do Hospital Roberto Santos, na capital baiana. "Ele sempre foi um cara longe de desavenças, de confusões, sempre foi unanimidade na cidade, sempre foi um cara solícito, profissional, um cidadão que sempre se deu bem com todos", disse o irmão da vítima.

Júlio César tinha dois filhos, de 5 e 8 anos de idade. Ele era o mais novo de três irmãos. Nasceu em Xique-Xique, no norte da Bahia, estudou em Salvador e se formou em medicina na cidade de Maceió, em Alagoas.

Conhecido pela generosidade

Uma amiga de infância de Júlio César, Carla Valéria, diz que o pediatra era muito conhecido na região de Xique-Xique pela generosidade e cuidado com os pacientes. Entre a família e amigos, ele era chamado carinhosamente de "Bodinho".

Os dois se conheceram no Colégio Osmar Guedes, onde estudaram quando crianças. "Estudamos juntos no ensino fundamental e mantivemos esse vínculo até hoje", se recordou.

"Nós estudamos no fundamental juntos e ele se tornou o pediatra das minhas duas sobrinhas. A gente tinha uma relação de amizade", disse a mulher, que é coordenadora pedagógica de um instituto educacional de Xique-xique.

"Quando ele passou a cuidar das minhas sobrinhas, eu tive a oportunidade conhecer ainda mais o homem que ele se tornou. Um pessoa admirável e que não era só comigo, era com todos em Xique-xique".

"Foi muito cruel, ele é raro, é uma das melhores pessoas que eu já conheci na minha vida. Muito cruel", disse, emocionada.

Caso

O médico pediatra foi morto dentro do consultório que ele prestava atendimento, em uma clínica particular da cidade de Barra, oeste da Bahia. O crime aconteceu na manhã de quinta-feira (23).

Segundo a polícia, o pediatra foi atingido por quatro tiros, um deles na cabeça. Ele chegou a ser socorrido por outros funcionários da clínica e foi levado para um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos. (g1 Bahia)


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