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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

O QUE O CRIME EM CRICIÚMA NOS ENSINA?



Eles gravaram uma LIVE, perguntaram aos reféns se na cidade tinha mulher bonita e bons bares, combinaram de espalhar 500 mil reais pelas ruas para que outras pessoas pudessem se beneficiar e foram embora ouvindo música de qualidade.
Em plena pandemia, quando ainda impera a regra de só sair de casa para o trabalho, munido de máscara, usando álcool gel e evitando aglomerações, eis que um grupo de 30 a 40 homens se reuniram, começaram a tramar o feito, anotando detalhe por detalhe até que o plano foi para a prática e para quem o fez, foi um sucesso.
Depois do assalto, autoridades se reuniram buscando respostas e ações para prender o bando, mas que bando é este que abandona 10 carros de luxo em um milharal e só estes carros já somam quase um milhão de reais?
O bando tinha um objetivo em comum, cada um com uma tarefa, cada um sabendo exatamente o que tinha que fazer para que o banco fosse invadido.
Enquanto alguns cercavam a cidade, outros ficaram em Tubarão para atear fogo no túnel, evitando o reforço rápido da polícia daquela cidade.
Enquanto alguns colocavam reféns nas ruas, outros explodiam um caminhão na frente da Companhia da Polícia.
Enquanto uns atiravam para o alto, causando pânico e evitando que as pessoas saíssem para as ruas, outros explodiam e furtavam o dinheiro do banco.
Enquanto alguns enchiam o caminhão de dinheiro, outros espalharam 500 mil pela rua, pois haviam prometido aos reféns que não os machucariam e ainda deixariam grana para que outros fossem beneficiados.
E então, com seus carros de luxo e um caminhão de dinheiro, ligaram uma boa música, pegaram a estrada, sabe-se lá para aonde, abandonaram metade da frota e foram embora.
Mesmo que sejam pegos e presos, lições são tiradas e vergonhosamente nos servem para aprendamos que se queremos algo bem feito e de resultados, precisamos de organização, trabalho em equipe, foco, objetivo, pessoas cada qual cuidando de uma tarefa e foi assim que por meses eles planejaram o crime sabendo que no dia tal, na hora tal, na cidade e banco tal, milhões de reais dormiriam num cofre que poderia ser aberto com explosivos.
Achar culpados agora será fácil, pois sempre que algo dá errado, achamos culpados, mesmo não os sendo. Tentar prender o bando agora é uma questão de honra para as nossas polícias, pois mesmo com suas vidas em risco, mesmo com o baixo salário que recebem, mesmo com as viaturas caindo aos pedaços, nossos homens das polícias acabam por fazer mais do que poderiam.
A grande lição, especialmente agora em tempos de pandemia vem mostrar aos governantes que se queremos evitar um mal maior, se queremos que as cosias deem certo, se queremos vencer a própria pandemia, organização é a palavra-chave.
Pois desde o início da pandemia lá em fevereiro, o que mais vimos foram desencontros de ideias, pessoas querendo tomar decisões certas e erradas, gente assinando decretos absurdos, pessoas não cumprindo, a pandemia crescendo e justamente agora que a segunda onde veio com força e os casos triplicaram, aparece um bando de 40 homens mascarados, invadem um banco, fogem com milhões e nos ensinam que sem organização, sem planejamento, sem alguém forte no comando, nada dá certo e se coloca tudo a perder.
Este crime não foi planejado ontem e aplicado hoje. Ele foi assunto de seguidas reuniões do bando que virou noites planejando a cidade, a agência, as pessoas, as ruas, o milharal, as rodovias, as polícias, o que, quanto, onde, como, quem, porquê e para quem?
Planejamento, união do grupo, cada um na sua tarefa, na hora certa, no lugar certo, com um único objetivo, coisa que nossos governantes não prenderam a praticar para acabar com a pandemia do coronavírus.
Neste dia, dezenas de pessoas me comentaram: “Como que 40 pessoas invadem uma cidade, furtam dinheiro de um banco, saem dando risadas, distribuindo dinheiro e ouvindo música e vão embora sem ser presos”?
Resposta: Planejamento, ações pensadas em conjunto, pessoas no comando, pessoas sabendo o que e como fazer, um objetivo em comum e tanto para assaltos quanto para controlar uma pandemia, planejamento é a palavra certa.
No mais, a pandemia continua aí, firme e forte. Os bandidos continuam aí, fugindo com milhões e as pessoas continuam aí, fingindo que os governantes oferecem segurança e a vida segue seus cursos, com dias bons e outros piores.
Gostando ou não do texto, perdão, mas tive que escrever.
Texto de Rodolfo Bonetti.


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