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quarta-feira, 25 de março de 2020

Chefe da diplomacia chinesa reafirma que Eduardo Bolsonaro feriu a China


© Ed Alves/CB/D.A Press

O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, não esconde o incômodo com a teoria que está se disseminando no governo de Jair Bolsonaro de que a pandemia do novo coronavírus foi a forma que o país asiático encontrou para “dominar” o mundo. Esse pensamento, por sinal, foi expressado pelo filho 03 do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, em uma rede social. Ele comparou a atuação do regime chinês no combate à Covid-19 ao episódio do acidente nuclear de Chernobyl, na antiga União Soviética. Imediatamente, Wanming respondeu. Disse que as declarações do parlamentar são “um insulto” e “vão ferir a relação amistosa entre o Brasil e a China”. E exigiu um pedido formal de desculpas de Eduardo, pedido que ele reforçou em entrevista por e-mail ao Correio.

“As palavras dele ferem não só a nação chinesa como o sentimento do povo chinês, e não condizem com o bom ambiente vivido pelo nosso relacionamento. Por isso, cabe a ele pedir uma desculpa. Estou convicto de que tal narrativa não represente a posição do governo brasileiro. Vamos fazer esforços junto ao lado brasileiro para que o relacionamento bilateral continue se desenvolvendo de forma saudável”, reforçou.

O embaixador afirmou que tomou ciência do pensamento anti-China dentro governo pela primeira vez por meio de uma reportagem. Na mesma hora, pediu a seus colegas que acionassem o Itamaraty, que descartou tal possibilidade. Mas o próprio ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, saiu em defesa de Eduardo Bolsonaro, ao classificar como “inaceitável” a forma como o diplomata chinês cobrou o deputado. Wanming disse que “jamais acreditaria que o presidente Bolsonaro” pudesse ter “uma ideia dessa”.

Ele reconhece, porém, que a teoria da conspiração contra a China está espalhada por vários países, inclusive nos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump se refere ao coronavírus como o “vírus chinês”. “É uma lógica ridícula, que exubera preconceitos contra a China e passou o limite ético do bom senso humano. Seu único propósito é desacreditar o país e arruinar o seu relacionamento com a comunidade internacional. Tenho certeza de que a sociedade brasileira está bem ciente disso”, destacou Wanming.

Apesar de tentar manter a serenidade, ele foi além: “Gostaria de salientar que será inútil qualquer tentativa de difamar ou desprestigiar a China por parte de qualquer indivíduo ou grupo. Isso jamais será aceito pelo governo ou pelo povo chinês”. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Segundo uma reportagem, o presidente Jair Bolsonaro está convencido de que coronavírus é um plano do governo chinês para recuperar a economia da China. Apesar de não se manifestar oficialmente, o chefe do Planalto já teria dividido suas impressões com assessores, políticos e com os próprios filhos. Como o senhor vê a teoria de Bolsonaro e o que pode comentar a respeito?

Fiquei chocado com o conteúdo dessa reportagem e meus colegas, de imediato, foram verificar isso com o Itamaraty. A resposta veio rápida e clara: trata-se de uma pura e absurda fofoca, que nem merece ser refutada. A parte chinesa também jamais acreditaria que o presidente Bolsonaro teria uma ideia dessa. O fato é que, logo no início do surto epidêmico na China, o presidente Bolsonaro encontrou-se comigo para transmitir a sua solidariedade ao presidente Xi Jinping e ao povo chinês. A imprensa da China e do Brasil publicou a mensagem de solidariedade do presidente brasileiro para a China no seu Twitter. Ministros, líderes de partidos e outros amigos brasileiros manifestaram, de diversas formas, seu apoio ao povo chinês no combate à epidemia. São esses os testemunhos do alto nível das relações sino-brasileiras e dos preciosos laços de amizade entre os dois povos. O vírus é inimigo comum da Humanidade e o mundo inteiro está se unindo para combatê-lo. É lamentável ver que certos países ocidentais não só não deram apoio substancial à China no início do surto, como também atacaram, sem fundamentos, as medidas de prevenção e controle que a China adotou. E, quando essas medidas surtiram efeitos, fabricaram teorias irresponsáveis de que “a China manipulou a situação e se aproveitou dela para alavancar sua economia”. É uma lógica ridícula, que exubera preconceitos contra a China e passou o limite ético do bom senso humano. Seu único propósito é desacreditar o país e arruinar o seu relacionamento com a comunidade internacional. Tenho certeza de que a sociedade brasileira está bem ciente disso.

O senhor reagiu de forma imediata às acusações do deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, de que a pandemia do novo coronavírus teria sido criada pelo China para assumir o comando da economia global. Quais as consequências desse tipo de declaração para as relações entre China e Brasil? De onde surgiu essa teoria da conspiração?

As palavras dele ferem não só a nação chinesa como o sentimento do povo chinês, e não condizem com o bom ambiente vivido pelo nosso relacionamento. Por isso, cabe a ele pedir uma desculpa. Estou convicto de que tal narrativa não represente a posição do governo brasileiro. Vamos fazer esforços junto ao lado brasileiro para que o relacionamento bilateral continue se desenvolvendo de forma saudável.

Existe cooperação contra epidemias entre Brasil e China? Há canal direto entre os dois governos para tratar disso? Como está a comunicação entre os dois países em época do novo coronavírus?

A China tem mantido estreita comunicação e coordenação sobre o assunto com o Brasil e outros países. Em apoio aos trabalhos mundiais de prevenção e controle, a China doou US$ 20 milhões à OMS (Organização Mundial da Saúde), enviou especialistas médicos e ofereceu materiais a países que os necessitam, como a Itália, além de dividir com todos o protocolo de diagnóstico e tratamento e o programa de contenção da Covid-19. Estamos dispostos a prestar todo o apoio dentro do nosso alcance, conforme as demandas da parte brasileira, e queremos intensificar a nossa cooperação em matéria de resposta a epidemias e de pesquisa e desenvolvimento de vacinas.

Como está sendo o plano de recuperação econômica da China após a epidemia do novo coronavírus?

Enquanto trabalha para controlar a epidemia, a China está adotando uma série de políticas macroeconômicas para recuperar o crescimento socioeconômico. A produção já foi retomada em mais de 91% das empresas estatais, e essa taxa aumenta para 95% em setores como petróleo e petroquímica, telecomunicações, energia elétrica e transportes. A economia chinesa está intimamente relacionada ao crescimento global. Com um grande senso de responsabilidade para com a comunidade internacional, vamos nos valer de todas as políticas fiscais e monetárias que forem necessárias para colocar a economia de volta nos trilhos do crescimento sustentável e de alta qualidade, continuando a ser o estabilizador e a locomotiva para a economia global.Como a China conseguiu domar o novo coronavírus? Quais medidas foram tomadas para conter a doença e conseguir diminuir os danos provocados pelo vírus?

A epidemia na China está sendo contida de forma efetiva e tende a melhorar daqui para frente. Mas ainda não é hora de relaxar. Todas as medidas precisam ser seguidas à risca. O vírus não tem fronteiras. A China, assim como outros países, está fazendo tudo ao seu alcance para enfrentar a ameaça da pandemia. Quanto às experiências, a primeira é a grande importância atribuída pelo governo central. Sob o comando e a coordenação do próprio presidente Xi Jinping, foram adotadas, de forma resoluta, as medidas de contenção mais abrangentes, rigorosas e minuciosas. A segunda é a seriedade das providências de prevenção e contenção. Todos os casos confirmados no país inteiro foram hospitalizados e tratados, e os casos suspeitos foram colocados em isolamento rigoroso. E a terceira é rastrear todas as pessoas que tiveram contato com o infectado e fazer todo o possível para romper a cadeia de contágio e reduzir a transmissão comunitária. São medidas extremamente necessárias, que permitiram uma contenção eficaz da propagação em curto tempo. Cingapura, Japão, República da Coreia e outros países também tomaram ações semelhantes e conseguiram resultados positivos.

Qual a opinião do governo chinês diante das ações tomadas por Bolsonaro e de sua equipe frente à pandemia?

A parte chinesa acompanha de perto a evolução epidemiológica no Brasil e tem confiança de que as medidas proativas e responsáveis do governo brasileiro favorecerão a contenção da doença e produzirão bons resultados.

A epidemia afetará as relações sino-brasileiras? Por exemplo, a cooperação para a implantação do sistema de internet 5G?

Estou convencido de que a relação amistosa sino-brasileira vencerá qualquer turbulência. A China tem uma parceira estratégica global com o Brasil e é seu maior parceiro comercial deste país. As relações bilaterais têm uma base social sólida, com interesses de desenvolvimento profundamente entrelaçados, e são amplamente apoiadas pelos nossos povos e sociedades. Estreitar ainda mais nossa cooperação substancial em todas as áreas tem um importante significado para ambos os lados. Há, de fato, retóricas esporádicas fabricadas para atrapalhar o bom andamento das relações sino-brasileiras, até boatos mal-intencionados disseminados por forças externas, como, por exemplo, politizar e militarizar a questão do 5G, que é, aliás, uma parte normal na cooperação China-Brasil. Todavia, gostaria de salientar que será inútil qualquer tentativa de difamar ou desprestigiar a China por parte de qualquer indivíduo ou grupo. Isso jamais será aceito pelo governo ou pelo povo chinês. Tenho certeza de que, entre China e Brasil, a confiança política mútua é bem arraigada e nossos diálogos são frutíferos. Por isso mesmo, nenhuma interferência externa perturbará o contexto geral da nossa amizade e cooperação. Trabalharemos juntos para levar adiante nossa parceria em todos os domínios a fim de realizar o crescimento conjunto e trazer benefícios para nossos povos.

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